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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

E de repente não somos nada..."Beirute"

Liliana Silva, 05.08.20

10937_FBCC8A76E7115C2F.jpgFoto: Mohamed Azakir/Reuters (4.ago.2020)

Caraças pahhh...

Raio da vida que nos anda a colocar demasiadas armadilhas no caminho que nos deitam ao chão num abrir e fechar de olhos...

Chiça para o destino que está, às vezes, tão mal traçado...

Não há palavra que soe mais alto do que chamar por "Ele" quando olho as imagens de Beirute. Afinal Deus de muitos e de não tantos assim o que é isto? Andarão as tuas atenções assim tão atrapalhadas? Ohhhh 2020 dum carago que nos está a dizimar a alma e o coração...

Beirute é neste momento uma cidade em escombros, onde cheira a morte e se sente de longe um sofrimento atroz. Os números não param de aumentar e os números são seres iguais a nós mesmos...sim porque poderíamos bem ser nós. Aquele cenário poderia muito bem ser em qualquer parte do mundo, como aqui. Aqueles olhares sem norte ou rumo poderiam bem ser as "nossas gentes ou a nossa família". 

A vida corre, voa, esvanece e continuamos tão focados em certas coisas que se torna surreal pensar em cenários assim. De um momento para outro levamos um empurrão e batemos de frente com a dor, com a desgraça, com a destruição, com a morte.

Beirute é já ali, longe, mas tão perto dos nossos corações por estas horas! O dia virou noite por muitas horas seguidas, as casas viraram escombros, as memórias e as vivências viraram pó. As pessoas estão assustadas e a partir de ontem já nada será como antes. Quando pensamos que uma pandemia nos rouba tanto, percebemos afinal que há sempre pior...

Saibamos olhar para isto com o coração...saibamos fazer um luto prático de todas as imagens que nos vão chegando! O cliché é meio que redundante mesmo, mas a verdade é que precisamos aproveitar mais a vida, porque de repente não somos nada...apenas pó e cinza num mundo que continua a mostrar o melhor e o pior com que podemos contar. 

 

Programa ESTOU AQUI da PSP

Liliana Silva, 10.07.20

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Há 4 anos que não perdemos a oportunidade e por esta época solicitamos sempre a pulseira Estou Aqui da PSP. 

Este ano houve o prolongamento da pulseira do ano passado devido à pandemia, mas as pulseiras 2020 já estão aí. 

O Programa ESTOU AQUI! da PSP foi desenhado para que nunca perca um momento da presença dos seus filhos, especialmente em situações com multidões ou férias. A PSP aconselha a que se viajar para a Europa, o seu filho use a pulseira, pois esta solução está validada com as restantes polícias da União Europeia.

Pulseira ESTOU AQUI da PSP

Se ainda não solicitou a pulseira ESTOU AQUI da PSP (Polícia de Segurança Pública) para os seus filhos, poderá fazê-lo online, em https://estouaqui.mai.gov.pt/Pages/Home.htm A pulseira é pessoal e intransmissível.

Ativo de 25 de junho 2020 a 31 de maio de 2021, o Programa abrange crianças dos 2 aos 10 anos de idade. Excecionalmente, podem ser facultadas pulseiras para crianças de idade inferior a 2 anos se estas forem, comprovadamente, capazes de andar sozinhas.

A pulseira é constituída por uma fita em tecido que contém um código alfanumérico e a inscrição “Call/ LIGA 112” e, segundo o site do Programa, o tecido está preparado para aguentar até 12 meses sem perder qualidade. No nosso caso em específico, a pulseira do ano passado andou no pulso do pequeno príncipe T, até à semana passada, nunca tendo sido retirada, o que comprova a qualidade do material em causa e a segurança que transmite.

Depois de levantar a pulseira na esquadra da PSP por si definida, deverá atá-la ao pulso do seu filho.

O pedido pode ser feito para uma só criança ou para grupos de crianças para uma instituição.

No nosso caso, complementamos o pulso do mini com uma outra pulseira que contem o número de telemóvel de um dos progenitores e que permite a criança, caso já saiba ler, pedir a alguém que contacto os pais no caso de se perder. As pulseiras personalizadas são da @stickets https://www.stikets.pt/?gclid=EAIaIQobChMIqIHXvqHC6gIVAp3VCh1jXgnOEAAYASAAEgLZSvD_BwE

O teu regresso...

Liliana Silva, 07.07.20

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Não precisavam pedir...

Não precisavam mandar...

Há cerca de 4 meses atrás o país confinou-se (palavra já tão odiada por todos)...

Há cerca de 4 meses atrás voltamos ao que eu chamo de "nova licença de maternidade"... ao apego 24/24, às birras mais acentudas, aos berros mais vivos, às gargalhadas mais altas, à música mais veloz...

Há cerca de 4 meses conseguimos deixar as rotinas rígidas que a vida nos impõe e pudemos voltar a tomar o pequeno almoço com calma e tranquilidade, pudemos cozinhar juntos, pudemos tomar banhos mais longos, pudemos experimentar roupas e fingir reis e rainhas. 

Fizemos de tudo um pouco e desengane-se porque nem tudo foi assim tão perfeito!! Este amor de mãe e filho é tramado mas no fim saiu vencedor!! 

Hoje, 4 meses depois voltaste para as tuas rotinas...hoje passei o dia de lágrima fácil, de sorriso distante, de preocupação nas mãos. Hoje o despertador voltou a tocar para ti, o corre corre voltou aquele corredor de casa, o pequeno almoço foi contado e tudo o resto foi estimado a cada minuto.

Hoje, 4 meses depois, meti a chave na fechadura e não ouvi música, não ouvi "mãe", não vi aqueles abraços a vir em direcção a mim, voltei a almoçar em silêncio. Um silêncio ensurdecedor que me fez mais uma vez chorar. Que pesado foi este dia "novo".

Fazes-me falta miúdo...agora até me habituar à tua "ausência" vai custar outra vez...

Mas sabes...tenho as asas preparadas para abrir outra vez mais um bocadinho... e não te preocupes muito, porque o teu lugar é onde deves estar, e eu sei que por muito que me custe, agora é a tua hora de pular, gritar e brincar...coisas que te foram privadas nos últimos tempos e que agora podes fazer mais e melhor.

O vírus?? Esse bicho papão que todos os dias nos rouba algo (quanto mais não seja a felicidade plena de viver tudo intensamente e sem medos) e que já muitos estarão a pensar...fica de fora desta equação...e fica porque quero, fica porque tenho essa necessidade, fica porque recuso viver com o medo constante alojado no coração.

 

Dia da Família

Liliana Silva, 15.05.20

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Desengane-se quem acha que é tudo perfeito, que são só coisas boas, que os sorrisos não deixam os nossos rostos ou que a tristeza, as zangas e os medos não entram pela porta. Desengane-se quem acha que tem a familia perfeita, onde não há discussões, onde não há chatices ou onde imperam sempre e só boas gargalhadas. Nada do que é bom tem por base apenas momentos felizes. As coisas só dão certo porque olhamos o interior do nosso coração e sabemos que somos humanos prontos a errar.

E é com os erros que construímos a base da nossa piâmide. Uma pirâmide que trepamos juntos, com as mãos entrelaçadas e o coração aberto a novas e desafiantes aventuras.Pensamos demasiado no futuro, naquilo que queremos alcançar e esquecemo-nos que o mais importante é sem duvida com quem dividimos estes nossos desejos. Objectivamente sonhamos ser perfeitos, mas é na imperfeição de cada um de nós que encontramos o amor, a amizade e o carinho para nos mantermos unidos.
Happy Family Day

O regresso não desejado

Liliana Silva, 04.05.20

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É hoje

O dia da retoma

O dia do (re) começo

O dia do desconfinamento

O dia das segundas oportunidades

A segunda feira mais pedida por muitos

Mas pergunto eu... Será que somos capazes? Será que estamos à altura desta nova chance? Será que aprendemos alguma coisa com tudo o que temos passado? Não quero ser desmancha prazeres mas...

Por aqui, nós nos vamos manter... Por aqui não há desconfinamento...nao deixa de haver isolamento... Não regressaremos à normalidade. A escola está suspensa, e com o miúdo em casa, vamos manter as rotinas que adquirimos à quase dois meses (sim sim já lá vão quase dois meses...)

E, desculpem os mais activos da sociedade, eu agradeço poder continuar no meu casulo, protegida, a olhar pela janela e a observar o que por aí vem. Porque sei que temos de aprender a viver com isto, mas também sei, por prova viva que não estamos ainda preparados para tal. 

Se alguém tem de começar? Pois claro que sim, eu apenas agradeço não ter de ser eu.

Porque sei que as pessoas estão sedentas de rua, de contactos, de toques. Porque sei que para muitos esta nova fase de calamidade significa o fim do vírus e infelizmente não é bem assim que a coisa lá vai. Porque sei que com este desconfinamento há pessoas que acham que a vida volta ao normal e que já está tudo bem, e lamento informar mas não, não está tudo bem, está sim a melhorar, mas não está tudo bem.

Eu agradeço poder ficar por aqui, porque eu tenho medo. E não é tanto medo do vírus!!! É mais medo das PESSOAS. Das pessoas que acham que esteve sempre tudo bem e por isso vão continuar a não tomar as devidas precauções, daquelas que acham que já está tudo bem e vão baixar a guarda, daquelas que acham que os outros são uns exagerados e se querem sobrepor aquilo que nós queremos, daquelas que acham que a eles nada lhes toca e que como nunca vão apanhar, nunca vão passar aos outros.

Não está tudo bem!

Não está tudo normal!

Não podemos fazer o que antes fazíamos!

E até as pessoas reconhecerem isso... Temo que a coisa possa piorar!! (assim eu esteja enganada).

Não sei o que vai nos vossos corações, mas no meu reina o sentimento de ter de aprender a viver novamente em sociedade, porque a partir de hoje, qualquer aproximação ou toque não será assim tão benvindo e vamos ter de aprender a lidar com isto o melhor que sabemos.

Não se trata de má educação, não se trata de exageros, não se trata de olhar para o próprio umbigo...trata-se talvez do bem comum, porque a minha liberdade termina quando começa a do outro.

Não é do pé para a mão que volto a estar com a família, não é de ânimo leve que vou começar as tão apetecidas jantaradas com os amigos, não é de certeza de espírito livre que regresso aos convívios com os conhecidos... aos poucos a coisa pode compor-se, mas para já aqui eu ponho o pé no travão e só levanto quando achar que consigo enfrentar sem dúvidas a pairar sobre a minha cabeça.

Se entendermos isto, talvez estejamos mais perto de voltar a uma normalidade aparente e mais positiva, que nos faça a todos repensar o que queremos deste mundo que nos fez abrandar e mesmo PARAR.

 

A Telescola do nosso Futuro

Liliana Silva, 20.04.20

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20.04.2020

Data para registar e marcar no tempo. Neste dia, pelas 09:00h dava início na RTP Memória (canal 100 da MEO) as aulas de ensino à distância para todos os alunos do 1º ciclo até ao 9º ano.

Hoje Tiago, registo este momento, para que mais tarde possas perceber um pouco da dimensão que tudo isto tomou na nossa vida e na vida de todos. Ouvi falar da telescola pelos meus pais, com a ideia de que o quadradinho mágico da TV chegava a casa dos mais pobres e das aldeias mais distantes por impossibilidades económicas e de deslocação.

Hoje a escola a que assistes pela televisão chega até ti por causa de um vírus que ameaça a espécie humana a cada canto do mundo.

Se me perguntassem há cerca de meio ano atrás se isto seria possível...? Definitivamente não!!!

Nunca, no meu perfeito juízo achava que ias tu, filho meu e outros tantos passar por esta situação, desta forma e neste contexto.

Hoje foi o dia do início!! Daquilo a que estamos habituados ser tudo diferente. Hoje a secretária estava em frente à televisão, estavas sozinho no meio da sala (não de aula mas da própria casa) e não podias conversar com os teus amigos nem fazer as perguntas à senhora professora Isa, que conheceste na mesma altura em que conhecias todo este novo método, até então arcaico e antigo.

Recebemos muitas mensagens (algumas de outras mamãs de amigos teus), o avô ligou ainda mal a aula estava a começar para saber se já estavas acordado e pronto, eu estava com o credo na boca e com o coração tão acelerado que quase saltava pela boca, afinal as novidades deixam-nos sempre com aquele suor frio na palma das mãos...e tu...bem tu não sabias ao que ias...mas lá foste tu...curiosidade na "venta" e animação no olhar, afinal a coisa era nova e estavas no quentinho da tua casa.

Dois módulos, uma professora, alguns apontamentos e para já nada de novo mas muitas histórias para ouvir.

Foi assim o teu primeiro dia de telescola, em pleno século XXI, com o vírus ao virar da esquina, com a incerteza dos dias a pairar no ar e com a certeza de que este 3º período do teu 2º ano vai com certeza ser um marco no teu percurso e uma história mais que terás para contar aos teus, lá mais à frente.

Opiniões de mãe?! SIMMMMM...muitasssss...que amanhã tentarei colocar por palavras. Hoje deixo apenas o parecer positivo do mini da casa, 7 anos de gente que aprovou a estratégia e que está pronto para os restantes dias (não sei se será com a mesma força como neste primeiro dia, porque as saudades dos amigos já apertam).

 

Um mês de Mim mesma e dos outros

Liliana Silva, 13.04.20

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Há precisamente um mês entrava na minha casa com um aperto no coração e uma grande interrogação na alma. Falava-se muito, ouvia-se ainda mais, as notícias tornaram-se pesadas e as ruas mais vazias. O silêncio ensurdecedor das estradas antevia um cenário para o qual não estava preparada. 

Nesse dia, almocei com o meu pai pela última vez, abracei-o já a medo e despedi-me com um "até já e não te esqueças que estou sempre aqui ainda que possa não estar presente fisicamente".

Nesse dia, sexta-feira, o Tiago andou nos baloiços da escola pela última vez até então, e disse aos amiguinhos que ia ficar tudo bem. Convictos que seriam apenas umas férias mais prolongadas, mas que passariam rápido e logo regressariam à rotina das corridas e das trapalhadas.

Nesse dia, falei presencialmente com os outros pais e concordámos todos que ia ser duro (mal nós sabíamos o que por aí vinha).

Nessa sexta-feira meti a chave na porta com a certeza que seria por muitos dias...dias aos quais ainda não me habituei.

Passaram 32 dias, onde me reiventei, me redescobri, me irritei, me odiei...onde já ri muito mas onde as lágrimas teimam em cair nos dias mais pesados. Passaram 32 dias e não pensei que me sentiria tão presa. Passaram 32 dias onde já fiz um pouco de tudo, onde invento mapas semanais para o miúdo, onde invento actividades físicas para não perder o foco, onde cozinho bolos e bolinhos para passar o tempo e trazer algum alento aos dias. Já arrumei gavetas perdidas, limpei janelas e postigos, fiz reciclagem de materiais e deitei fora muitas das coisas que guardava por medo de me perder na memória que deles tinha.

Passaram 32 dias... um mês a ouvir novos casos, mortes, confinamentos, isolamentos...e continuamos todos na incerteza de um futuro que neste momento está confinado às paredes da nossa casa.

E se nuns dias acho que estou rodeada pelas asas de um anjo, outros há que acho que o demónio incendeia as paredes deste meu T3 e querem saber...? Ou isto nos faz dar uma grande volta ou então de nada serviu para sermos melhores pessoas.

Quero acreditar que vai ficar tudo bem, mas sei que isso nunca será possível para todos e no mesmo pé de igualdade. Questiono-me muitas vezes se as pessoas terão realmente noção da dimensão da bolha em que estamos metidos...é que a mim parece-me que ela rebenta com tamanha facilidade que leva tudo e todos, sem escolher e sem olhar.

Passaram 32 dias... a 13 de Março entrei com o meu filho em casa e desde então tenho medo de tudo e de todos! Dizem que quando isto acabar vamos abraçar-nos ainda com mais força e com mais vontade, mas será? Será que depois de tudo isto vence o medo ou o Amor? 

Marco no calendário da minha memória este mês, estes dias inteiros e tão incompletos. Se antes estavamos prisioneiros do tempo e do relógio, neste momento, tempo é coisa que não nos falta e ainda assim continuamos a ter esta sensação de prisão. 

Que nestes cruzamentos da vida, sejamos capazes de encontrar em nós mesmos, coragem para continuar a caminhada que a vida nos destinou. 

E porque para encontrar-mos o arco-Íris precisamos passar pelas tempestades, EU ACREDITO 

(Ps. Pai, aguenta isso aí que ainda há muito caminho a percorrer)

Um pedaço de céu

Liliana Silva, 08.04.20

 

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Hoje escrevo como filha... Porque acho sempre que devemos descrever os sentimentos e deixar gravado aquilo que nos move sem medo de falar. 

Nunca teremos forma de aceitar a despedida de quem amamos. 

Por muito que nos preparem, não há maneira possível e eficaz para este processo. 

Digam o que disserem e doa o que doer queremos sempre mais tempo junto aos que nos querem bem e aqueles que nos deram vida. 

Hoje o mundo está parado para todos... Há 8 anos parou para mim quando perdi a pessoa mais importante da minha vida. Hoje o mundo pára para pensar e há 8 anos fui eu quem parei no tempo para saber o que ia ser de mim depois de ti. 

Ainda que falemos todos os dias, a todas as horas... Ainda que tenhamos os nossos encontros fortuitos num qualquer sonho perdido de mim... Ainda que eu saiba que o nosso amor é real, às vezes é difícil Mãe. E às vezes é mesmo bem difícil. Tu eras a minha âncora. Eras a minha balança acertada. Eras os ponteiros do relógio sempre certos. Contigo tinha a capacidade de ver os dois lados da moeda e conseguia a proeza de ouvir o meu coração, coisa rara nas pessoas por estes dias. 

Faltou-me TUDO num momento em que tinha TUDO para sermos felizes! E ainda que eu tente arranjar uma calma dentro de mim, não posso enganar-me sabendo que será sempre uma calma aparente.

O mundo hoje está parado Mãe... Tal como me senti há 8anos atrás. E tal como te deixei partir dentro da paz que dispunha, hoje peço - te essa mesma paz para enfrentar o que vem por aí. Peço - te que me guies mas sobretudo peço-te que não O deixes sentir-se sozinho nesta batalha... Sim ele...

Tens nova tarefa Mãe!! Arregaça as mangas e continua por aqui. Ocupa a tua casa, aquela para onde olho todos os dias e manda daí as boas energias que tão bem tu sabias fazer.

Nesse pedaço de céu eu acredito que farás milagres... Como continuas a fazer todos os dias quando me avisas que a vida é para ser vivida e que os obstáculos são para ultrapassar e seguir em frente. 

Não fosse um Amor assim e nada tinha neste mundo❤️

Sejam Humildes!! Sejam Irmãos!!

Liliana Silva, 30.03.20

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AMAR É RESPEITAR 🙏

Tinha pensado num texto todo bonito, arranjadinho e arrumadinho, com as ideias bem definidas e as intenções bem no sítio... Mas a coisa descambou... E descambou porque à noite tudo fica mais pesado, com o passar das horas a cabeça pensa demais e o coração fica acelerado...

Estamos nisto há já 17 dias (2 saídas de 1h cada a solo para ir buscar o que necessitamos para comer)...
Estamos nisto desde a primeira confirmação, os primeiros aumentos e a primeira morte...

Por muito que ocupemos a cabeça com trabalhos mil (e quem é mãe sabe do que falo) o tema diário é sempre o mesmo!!!

Pior de tudo??? É que isto está para durar minha gente... Por muito que nos custe isto está para durar☹️

Ora primeiro tivemos Carcavelos e as suas praias😒
Depois os passadiços do Norte😢
Agora temos as férias do Algarve😏

Vai daí que eu acho que ainda há muita "gentinha" a ver tudo isto ao contrário e só não digo aqui um palavrão porque porque...

Já que não percebem que o isolamento social nos fará regressar mais rápido à normalidade, pensem então comigo...

Ao andarem por aí... A conviver, a querer aproveitar o sol, a visitar famílias estão a fazer com que eu, e mais uns bons pares de pessoas do bem tenham menos um dia para estar com pais e mães, menos um dia para ir ao parque com os nossos filhos, menos um dia para aproveitar a vida e o que de bom ela tem. Porque é disso que se trata... Enquanto eu me recolho e me privo de estar com os meus é mais um dia perdido que pode não ser recuperado e sabem porquê?!?!?

Porque a vida conta ainda com outras tantas rasteiras que achamos só sucedem aos outros, e nos esquecemos que para além do covid19, continuam a existir a merda do cancro, do AVC, do alzheimer... E de tantas outras coisas que nos podem privar a qualquer momento de aproveitar a vida junto dos nossos!!

Por isso minha gente... Se não for por amor próprio... Pensem que, ao não cumprir com o isolamento que nos pedem agora, vai demorar mais tempo... E não sabemos mesmo quanto tempo temos ao certo ou sabemos?????

Sejam humildes!! Mas sobretudo sejam irmãos!!! Sempre ouvimos dizer que a união faz a força catano... Esperam o quê?? Que o covid19 não vos bata à porta?? Pode até ser... Mas não estão imunes a tudo o resto... E o karma é lixado 🙄

Acho que vale a pena pensar nisto 🙏

Sanidade Mental em tempo de Quarentena

Liliana Silva, 27.03.20

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No domingo passado, o marido colorido disse-me "amanhã faz aquilo que costumas fazer todos os dias...tira o pijama, põe uma maquilhagem, escova o cabelo..."

Aquilo não me caiu lá muito bem e claro que tive de lhe responder que não era ele que ia ficar fechado com o puto e a ouvir as notícias de minuto a minuto sobre o "diz que disse" de números e notícias, falsas ou verdadeiras, que nos entram ouvidos dentro e fazem a nossa cabeça e o nosso coração andar como se estivessem numa montanha russa...mas a coisa acabou por ficar por ali...

A verdade é que estou há praticamente 15 dias enfiada em casa com o miúdo e tem-me custado a tirar o pijama. Simples assim!! O "desleixo emocional", se assim o poderei chamar é lixado e tenho que dar o braço a torcer quando recordo as palavras do sr. Engenheiro cá da casa.

Isto é apenas o reflexo da nossa sanidade mental em tempos de crise, como aquele que hoje vivemos!

Estabeleci uma tabela (semana passada, que esta semana já foi a professora a estabelecer as rotinas), para manter o miúdo ocupado, para lhe manter minimamente a rotina e para que ele não se farte e não me farte a mim, mas a verdade é que hoje olhei-me ao espelho e o que salta à vista são as minhas olheiras, e pensei mais uma vez para os meus botões "aquele gajo tinha razão, ele já sabia que tinha de me alertar, porque eu lido mal com certas situações". Remeti esse pensamento, como disse para mim mesma, mas também serviu de alerta para os próximos dias.

 

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Vamos passar muito tempo agarrados aos telemóveis, a ler e a ouvir muita coisa pesada, falsa, impotente e avassaladora. Digam o que disserem, ninguém estava preparado para este caos, para estas restrições, para este isolamento. Vamos ter de aturar os putos, ocupá-los, brincar quando não nos apetece, limpar as lágrimas de muitas birras, pensar em ementas de almoço e jantar e fazer contas ao número mínimo de vezes que iremos ao supermercado. 24/24 horas num rodopio sem um objectivo!! E quando falo em objectivo, é um objectivo real mas próximo!! A nossa condição neste momento é a de saber esperar e estou em crer que a espera vai ser longa e penosa.

Por isso, acredito que nestas próximas semanas, quem não souber cuidar da mente, vai arranjar problemas ao corpo e eu não quero ser uma dessas pessoas!!!

Acredito muito que juntos e isolados podemos fazer a diferença para o tempo que poderemos encurtar caso todos tenham noção do real perigo deste vírus! Acredito que só estas medidas poderão por caminho certo a esta pandemia! Acredito que temos de por mais de lado as notícias e não viver em prol de números e baixas!!

Assim sendo, e pelo que já me consegui aperceber nestes poucos (mas eternos e longos dias) é que convém dar alento à nossa alma. Eu vou refugiar-me nas tarefas com o mini, mas muito mais há para fazer numa casa.

Aposto que andamos todos há anos a dizer que queremos por em dia aquela série que tanto gostamos, de ler aquele livro com um título sugestivo, arrumar aquelas gavetas que nos servem de depósito solitário para tudo o que nãoo tem arrumo próprio, escolher roupas para doar ou mesmo deitar no lixo (minimalizar), fazer uma limpeza geral ao sotão, pintar uma parede que há muito está por pintar, colocar em dia as fotos do álbum de família, quem sabe escrever a alguém com quem já não estamos há muito tempo ou até por em dia a conversa, olhos nos olhos com a nossa cara metade!

Há muita actividade que pode ser feita entre 4 paredes e que podem evitar que este isolamento social se torne acima de tudo um isolamento pessoal e interno. As nossas maiores barreiras são as paredes de chumbo que colocamos dentro de nós mesmos!

Não deixem que este vírus paute o vosso dia a dia, sem capacidade de erguer! Já dizia o marido colorido...e eu acrescento...tomemos um bom banho, façamos uma boa alimentação, deixemos as notícias para as horas em que antes as víamos, e tenhamos a capacidade de descobrir as nossas paredes e o que de melhor se encontra dentro delas.