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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

A Magia do nosso Natal

29.12.18 | Liliana Silva

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Ainda passou...o Pai Natal ainda conseguiu passar por cá...ufaaaa...

E é aqui que vejo que sou boa a fazer acreditar. Tenho mais uma vez a consciência de missão cumprida. A magia ainda aconteceu e só por isto já valeu tudo a pena.

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Fui uma crente incondicional da magia do natal, do barbudo de vermelho e de tudo o que envolve esta época. Não me canso de repetir que tive o privilégio de ter uns pais que sempre fizeram a magia acontecer. Fui uma crente incondicional dos presentes e quantos mais houvesse ao redor da árvore melhor. Nem com os anos isso mudou. Fui crescendo e apesar das "verdades inevitáveis" virem ao de cima, continuei a acreditar que quem faz a magia somos nós, e por isso mesmo mantive-me crente neste espírito. Mas houve uma altura em que a vida me deu um rombo de tal forma que me pôs à prova. 2012 foi o ano do tudo e do nada e desde esse ano que todos os natais tenho vindo a reiventar-me nesta crença.

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Tenho-me superado por ti e não me arrependo, muito pelo contrário. Conseguir fazer-te sonhar e acreditar que isto da magia natalícia pode mesmo acontecer deixa-me com as expectativas nos pícaros.

Confesso que sabia que ia ser difícil...tens seis anos...já consegues reconhecer umas mãos "amigas", uma voz parecida, uma roupa similar...mas mesmo assim pedi ao avô da quinta que trouxesse o fato e encarnasse mais uma vez o personagem...

Quiseste improvisar um pequeno espectáculo para receber o Pai Natal e mais uma vez não te disse que não (ainda que soubesse que ia ser arriscado estares tanto tempo em frente a uma pessoa com a qual tanto lidas)...acho que coloquei tudo nas mãos da estrela guia e esperei que ela fizesse também o seu papel. Deixei fluir, apesar do meu nervoso "miudinho".

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A meia noite é sagrada por cá, pelo menos até este ano (creio que se no próximo ano ainda conseguir esta proeza, vamos ter de alterar a coisa, de modo a que o velhinho de vermelho deixe as prendas à porta de casa...sim sim já tenho tudo pensado ahahaha...), mas como ia dizendo a meia noite foi antecedida por um longo jantar (o típico bacalhau com as batatas e as couves e as mil e uma sobremesas), jogámos ao mikado e ao monopoly e assim os ponteiros se chegaram a sobrepor o quanto antes...

A campainha tocou...correste em direcção à porta, a euforia era tanta que cumprimentaste o Pai Natal e foste ocupar o teu lugar ao microfone...cantaste, encantaste e recebeste as tuas prendas com um barbudo dançante e animado. Despediste-te e deixaste-o ir...

Abertas as primeiras prendas, deixas fugir um "eu acho que aquele pai natal era o avô! Ele nunca cá está quando vem o pai natal..."...

"Soou o alarme" e tentamos desviar a conversa e as atenções para o resto das prendas. Voltaste a tocar no assunto e decidimos conversar sobre o tema. Não sei se te demovemos das tuas ideias, mas tenho a certeza que não ficaste convencido nem do sim nem do não. Portanto continuo crente que ainda mantenhas esse brilho no olhar no próximo ano quando a campainha voltar a tocar.

O resto?! Bem, o resto vocês já devem imaginar...papéis de embrulho para um lado, prendas para o outro, gargalhadas pelo meio e cá estava mais um Natal. 

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Já me convenci que estes dias chorarei tanto quanto sorrirei, mas vou-me habituando a isso. Não sou de ficar pelas metades, como já muitas vezes o referi. Choro com  a mesma intensidade com que rio. E se sinto tamanha falta da minha mãe que me dê para chorar muito, também me alegro de tal forma para lutar pela magia do natal do meu filho. Só assim isto faz realmente sentido...não finjo sentimentos, não o sei fazer. A noite é dele e é com ele que quero estar para que a noite também possa ser sempre NOSSA!!

À minha mãe...a estrela do meu Natal

26.12.18 | Liliana Silva

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Escrevo-te muito...

Falo-te ainda mais...

Às vezes zangada e revoltada, outras vezes triste e amargurada, muitas vezes desabafando apenas o meu dia como se de um diário te tratasses. Mas tu sempre foste isso mesmo, o meu diário aberto e sem medo de rasurar. Falar para ti é falar livremente. Sempre o foi. 

E se em todos os dias sinto necessidade disso, em épocas especiais como esta de agora prefiro não me alongar nas palavras. Tornar-me-ia repetitiva. Em dias de festa como estes que se avizinham prefiro ir ao baú das minhas memórias e recordar como era bom o Natal ao teu lado, como era único, como era especial...e sabes? Caramba, sentimos sempre falta das coisas boas que passamos, tendemos sempre a ganhar uma certa nostalgia quando nos faltam os momentos bons. Mas sabes mais? Sei que os aproveitamos ao máximo, oh se aproveitámos...

Éramos três numa mesa de seis, fazíamos sobremesas como se a família fosse de doze, as prendas amontoavam-se em redor do pinheiro, mesmo que soubessemos o que estava por lá, e que pareciam para 18...as doze badaladas eram sagradas, mais ainda o beijo ao menino que colocavamos na manjedoura quando o sino ecoava lá no alto. Tiravamos fotos a cada prenda aberta, decifravamos as histórias por detrás de cada uma...e o calorífico...ter o calorífico na sala era sinónimo de calor extremo (aquele que tanto sempre gostei) e de momentos acolhedores. Não faltava o peru depois de abertos os presentes...e éramos só três. Porra pahhh fui sempre tão abençoada.Tive sempre tanto ao meu redor, e é tão difícil às vezes aceitar que certas coisas têm o tempo contado...

Mas não me esqueço e faço questão que o pequeno cá de casa possa ter também as suas lembranças felizes destes tempos de família.

Se a ele o faço, a ti o devo! Se não deixo cair a magia é porque em momento algum deixaste de me fazer sonhar. Se me reivento a cada dia, foi porque tive pilares suficientemente fortes que me fizeram acreditar sempre nos nossos sonhos e naquilo em que queremos acreditar. Escrevi a minha última carta ao "pai natal" com 25 anos. Muito tempo depois de ter descoberto onde ele se apoiava para colocar no "sapatinho" os nossos pedidos. Muito tempo depois de perceber que vocês, pai e mãe, eram mesmo muito especiais...mas não deixei de escrever, porque escrever deixa-nos memórias palpáveis. Escrever tráz-nos aos olhos a doçura das palavras. E fiz sempre questão de vos deixar escrito o quanto vos queria bem nas minhas cartas natalícias.

Não te preocupes Mãe...por mais triste que esteja, por mais zangada que às vezes fique...a magia essa, nunca desaparece. Fui educada a acreditar no valor dos sentimentos e das emoções. não fazia sentido não implantar isso no coração do pequeno príncipe T.

Não te preocupes Mãe...ainda que às vezes a vontade seja reduzida, a casa vai estar quentinha, as sobremesas serão muitas, os presentes estarão em redor da árvore, a música vai continuar a ouvir-se, as gargalhadas estão garantidas ou não tivesse eu um mini alegre e feliz em casa e as conversas, essas,  serão sempre sobre o telhado de estrelas que ganhei desde o dia em partiste.

Guardo-te eternamente no meu coração, lugar sagrado onde só entram os corações nobres de sentimentos.

 

Como contornar as comparações?!

11.12.18 | Liliana Silva

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Tinha já meia página escrita, com palavras floreadas, com tentativas de me desculpar, com soluções para o caso, mas decidi carregar na tecla do delete e ser muito sincera comigo mesma, porque estas frases mais não são do que assumir uma culpa que trago no peito e que não consigo gerir.

O pequeno príncipe T está a começar a carregar o fardo do ensino às costas. Até aqui tudo bem, eu sabia que não ia ser fácil. Sabia que ele tem o seu tempo e que o gere à maneira que quer. Sabia que se pudesse tê-lo-ia retido mais uma ano na pré porque sinto a necessidade dele de brincar e de explorar outras coisas não tão sérias como contas, letras ou ditados...

Eu sabia e sei...mas não estava preparada psicologicamente para lidar com isto quando a coisa começasse a ficar mais séria. E se de inicio começou tudo bem, agora tenho dado por mim a passar-me da "marmita" com ele, sempre que há palavras para ler e para escrever. Quanto às contas e números a coisa até se tem safado, mas se passarmos às palavras e à leitura a porca torce mesmo o rabo.

Tenho tido uma grande dificuldade em agir.

Tenho tido uma grande dificuldade em entender.

Tenho tido uma grande dificuldade em fazer melhor.

Descobri que a dificuldade está em mim. Que agi mal. Que não soube gerir. 

Ontem veio da escola e trazia a ficha do fim de semana com a indicação da professora que "leu com muita dificuldade". Epah e caramba aquilo mexeu comigo, mais uma vez tocou naquele ponto que não estou a saber gerir. Ontem, depois de ler aquilo perguntei-lhe o que se tinha passado já em tom mais alterado e ele apenas me disse que "olha ainda não foi desta que a professora escreveu o meu nome no quadro, ainda não sei as palavras todas" e aquela frase deixou-me ainda mais aborrecida. E este aborrecimento todo deve-se apenas ao facto de saber que não é por falta de trabalho e de tentativas da nossa parte. Arrisco-me até a dizer que o Tiago será dos miúdos que (por erro meu, não sei já...) treina todos os dias, mesmo que não leve os tradicionais TPC´S mandados pela professora, eu faço questão de ter um caderno e de lhe ir dando a alavanca que talvez necessite para seguir em frente. Mas eu não sei...já não sei se estou a proceder bem, se o estou a deixar exausto e com mais aversão às coisas, eu não sei...e neste momento sinto-me irritada comigo mesma por não estar a saber lidar com esta situação.

A juntar a isto, vêm as conversas com as outras mães (conversas que eu já devia saber trazem sempre mais de ego do que veracidade) quando oiço que os outros já se enturmaram muito bem com letras e números e só o meu é que anda nisto.

Hoje decidi dar um murro na mesa. Sozinha decidi colocar as ideias para fora...sozinha disse BASTA! Estou a ser má. Comigo e com ele. Estou a exigir, estou a pedir, estou a revolucionar...e não preciso mesmo disto. Não preciso! Nem eu nem ele...

Não é o facto de aprender mais devagar que faz dele menos capaz. Não é facto de não gostar de letras que não vai ser capaz de seguir os seus sonhos. Não é o facto de não ter paciência para estudar que fará dele um ser humano sem qualidades. E caramba, ele tem tantas!!! Ele é tão especial!!! Ele é tão grandioso!!!!

Porra para mim que ainda me deixo pressionar pelo status da sociedade correcta! E não, não me venham com tretas que estou a ser egoísta e que por aí tudo corre às mil maravilhas. Cada um sabe de si, e eu percebi que estava a errar pura e simplesmente porque não estava a saber respeitar o espaço e o tempo dele. A única coisa que sei é que vou continuar a ampará-lo e a servir-lhe de alavanca, nunca desistindo dele e das suas capacidades. 

Quem nunca fez comparações ou se sentiu "comparado" que atire a primeira pedra! Mas cuidado, porque todos temos telhados de vidro...