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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Como contornar as comparações?!

11.12.18 | Liliana Silva

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Tinha já meia página escrita, com palavras floreadas, com tentativas de me desculpar, com soluções para o caso, mas decidi carregar na tecla do delete e ser muito sincera comigo mesma, porque estas frases mais não são do que assumir uma culpa que trago no peito e que não consigo gerir.

O pequeno príncipe T está a começar a carregar o fardo do ensino às costas. Até aqui tudo bem, eu sabia que não ia ser fácil. Sabia que ele tem o seu tempo e que o gere à maneira que quer. Sabia que se pudesse tê-lo-ia retido mais uma ano na pré porque sinto a necessidade dele de brincar e de explorar outras coisas não tão sérias como contas, letras ou ditados...

Eu sabia e sei...mas não estava preparada psicologicamente para lidar com isto quando a coisa começasse a ficar mais séria. E se de inicio começou tudo bem, agora tenho dado por mim a passar-me da "marmita" com ele, sempre que há palavras para ler e para escrever. Quanto às contas e números a coisa até se tem safado, mas se passarmos às palavras e à leitura a porca torce mesmo o rabo.

Tenho tido uma grande dificuldade em agir.

Tenho tido uma grande dificuldade em entender.

Tenho tido uma grande dificuldade em fazer melhor.

Descobri que a dificuldade está em mim. Que agi mal. Que não soube gerir. 

Ontem veio da escola e trazia a ficha do fim de semana com a indicação da professora que "leu com muita dificuldade". Epah e caramba aquilo mexeu comigo, mais uma vez tocou naquele ponto que não estou a saber gerir. Ontem, depois de ler aquilo perguntei-lhe o que se tinha passado já em tom mais alterado e ele apenas me disse que "olha ainda não foi desta que a professora escreveu o meu nome no quadro, ainda não sei as palavras todas" e aquela frase deixou-me ainda mais aborrecida. E este aborrecimento todo deve-se apenas ao facto de saber que não é por falta de trabalho e de tentativas da nossa parte. Arrisco-me até a dizer que o Tiago será dos miúdos que (por erro meu, não sei já...) treina todos os dias, mesmo que não leve os tradicionais TPC´S mandados pela professora, eu faço questão de ter um caderno e de lhe ir dando a alavanca que talvez necessite para seguir em frente. Mas eu não sei...já não sei se estou a proceder bem, se o estou a deixar exausto e com mais aversão às coisas, eu não sei...e neste momento sinto-me irritada comigo mesma por não estar a saber lidar com esta situação.

A juntar a isto, vêm as conversas com as outras mães (conversas que eu já devia saber trazem sempre mais de ego do que veracidade) quando oiço que os outros já se enturmaram muito bem com letras e números e só o meu é que anda nisto.

Hoje decidi dar um murro na mesa. Sozinha decidi colocar as ideias para fora...sozinha disse BASTA! Estou a ser má. Comigo e com ele. Estou a exigir, estou a pedir, estou a revolucionar...e não preciso mesmo disto. Não preciso! Nem eu nem ele...

Não é o facto de aprender mais devagar que faz dele menos capaz. Não é facto de não gostar de letras que não vai ser capaz de seguir os seus sonhos. Não é o facto de não ter paciência para estudar que fará dele um ser humano sem qualidades. E caramba, ele tem tantas!!! Ele é tão especial!!! Ele é tão grandioso!!!!

Porra para mim que ainda me deixo pressionar pelo status da sociedade correcta! E não, não me venham com tretas que estou a ser egoísta e que por aí tudo corre às mil maravilhas. Cada um sabe de si, e eu percebi que estava a errar pura e simplesmente porque não estava a saber respeitar o espaço e o tempo dele. A única coisa que sei é que vou continuar a ampará-lo e a servir-lhe de alavanca, nunca desistindo dele e das suas capacidades. 

Quem nunca fez comparações ou se sentiu "comparado" que atire a primeira pedra! Mas cuidado, porque todos temos telhados de vidro...