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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

08
Nov17

A capacidade de assumir erros

Liliana Silva

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O pequeno príncipe T teve ontem uma saída pela escolinha. Foram assistir a uma peça de teatro e como se deve imaginar tudo o que para eles foge à rotina torna-se motivo de alegria redobrada e êxtase sem igual. No regresso a casa e depois de iniciar o seu diálogo, senti-o meio envergonhado. Perguntei-lhe como sempre se o dia tinha corrido bem e se me queria contar aquela tarde diferente. Começou por confirmar que foi ao teatro, e antes que me descrevesse o que quer que fosse, virou-se para mim e disse "nós fomos ao teatro, mas eu e a "menina" portámo-nos mal, tivemos uma má atitude". 

Naquele momento o meu sentido de correcção não teve qualquer reacção perante a forma confessa de um miúdo de 5 anos. Tentei segurar a cara de quem está atenta ao que ele me estava a contar, mas com uma vontade imensa de me rir, até porque tinha acabado de sair da escolinha e nada me tinha sido transmitido, portanto sabia de antemão que tinha sido algo insignificante que tinha ficado resolvido no momento. Mas não deixei cair a máscara e muito atenta continuei a ouvir. E no meio da conversa só ouvia aquelas desculpas fantásticas do "ela é que me disse" ou "ela é que mandou".

Mamã: Mas vamos lá ver, afinal o que aconteceu para estares a dizer que se portaram mal? 

T: ohhh quando estavamos à porta do teatro a professora falou connosco e disse que não queria correrias naquele sítio. E sabes o que ela...(silêncio imediato) e eu fizemos? Começámos a correr. 

Mamã: ahhhh...olha que bonito...

T: mas não imaginas mamã, foi a professora a dizer que não se corria e nós fizemos logo isso, tivemos uma má atitude. Mas foi ela que mandou mãe, foi a "menina" que me mandou correr (começam as desculpas esfarrapadas do "é sempre o outro e eu sou um santo")

Mamã: (discurso da típica frase) então olha lá, e se a "menina" te dissesse que tinham de se deitar para um poço com água o que fazias tu? Tentei po-lo a reflectir sobre o assunto.

T: ohhh claro que não ia, ela afogavasse sozinha.

Mamã: então amanhã vou ter de falar com a professora para saber o que aconteceu...

T: (pára à minha frente muito indignado e replica) mas então eu já te estou a contar tudo não precisas de perguntar nada à professora. Foi isto que aconteceu de verdade. E eu até chorei.

Mamã: então mas choraste porquê?

T: porque me portei mal, foi uma má atitude e a professora ficou triste e até disse à "menina" que da próxima vez ficava na escolinha...

Mamã: pois é isso que acontece quando os meninos não sabem respeitar as regras, ficam de fora das coisas giras que acontecem...e parece-me que nem tu nem ela querem que isso aconteça certo?

T: sim mas isto não vai voltar a acontecer. Eu já aprendi que só devo obedecer às professoras e que nenhum menino manda em mim...

Ao jantar voltou a tocar no assunto e hoje de manhã a mesma coisa. Tinha-se esquecido de contar a professora que a "menina" o tinha puxado e que ele não teve como parar a brincadeira. Valha-me ainda a ingenuidade destes actos irreflectidos e momentâneos. 

Relativizei e esqueci, mas confesso que gostei da atitude dele ao assumir os erros, mesmo quando ninguém de fora o "pressionou" a tal, notei que foi uma situação que o incomodou, notei que foi uma situação que ele queria "desabafar", até porque acreditem que ele não é daqueles que conta os pormenores do seu dia-a-dia na escolinha. Portanto, naquela conversa notei que houve uma necessidade acrescida de expor aquilo que lhe estava a meter confusão. E confesso, é bom saber que de quando em vez sou o seu ombro amigo até para se denunciar a ele próprio. Sim eu sei, vão contar-se pelos dedos das mãos as vezes que ele "se acusar" sobre maus comportamentos, tipicos da idade, mas mais uma vez surpreendeu-me pela maneira como encarou a situação e a expôs sem ter necessidade disso.

Aqui está como ser criança é ainda tão puro e genuíno. ;)

 

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