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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

A minha ALTA DEFINIÇÃO

09.01.19 | Liliana Silva

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Chegaram os 33...

Sou mãe à 6!

Orfã de mãe à 6!

Filha à 33!

Companheira à quase 13!

Gosto de rir e chorar com a mesma intensidade quando assim o considero essencial. Gosto de estar no meu quarto de "solteira" a remexer as coisas que por lá ficaram. Gosto do silêncio. 

Adoro fotografia, música e praia.

Gosto dos raios do sol a bater-me na cara. Gosto da areia nos pés. Gosto de parar e olhar o mar. Gosto de me sentar na campa da minha mãe e conversar com ela sem ter de olhar o relógio. Gosto de escrever. Gosto de me vestir de preto assim como utilizo qualquer outra cor. Gosto de me embrulhar em frente à lareira e ficar assim sem fazer nada, sem que ninguém me chame ou me toque. Gosto de abraçar. Gosto dos abraços sinceros do meu pai. Gosto de reviver tudo o que já fui.

Amo o meu filho. Gosto de me sentir criança com ele. Gosto de lhe proporcionar aventuras, viagens, brincadeiras e momentos. 

Gosto quando o meu eterno marido colorido olha nos meus olhos e temos aquelas conversas sinceras que a rotina dos dias nos retira. Gosto da chuva quando a posso ver do lado de dentro da janela. Gosto dos trovões e dos relâmpagos. Gosto quando me oferecem flores. Gosto de ambientes quentes. Gosto de batatas fritas com gelado. Gosto quando cozinham para mim. Gosto de deitar a cabeça no colo dos que mais amo. Gosto de reunir os amigos à mesa e rir como uma perdida com coisas parvas. Gosto de pijamas polares, robes polares e meias polares (sou uma autêntica ursa ).

Gostava de viajar mais. Gostava de ter outro filho (embora ainda não esteja preparada para tal). Gosto de ser mulher. Gosto de ser mãe.

Não gosto do frio. Não gosto de me sentir fria. Não gosto de pessoas falsas. Não gosto quando as conheço de perto. Não gosto quando falam para mim e nas costas sei que acham coisas completamente contraditórias. Não gosto que me achem uma coitadinha. Não gosto de favas nem de queijo. Não gosto de cozinhar, passar a ferro ou aspirar(embora faça tudo isso e tudo o resto). Não gosto da sensação de cortar algodão. Não gosto de saltos altos (ainda que bonitos, não são práticos ). Não gosto dos paralelos nos passeios. Não gosto de falar da morte.

Não gosto de me sentir desnorteada. 

O que dizem os meus olhos?!

Que sofri horrores com a perda da minha mãe. Que aprendi a amar o meu filho devagarinho. Que dou valor à vida e aos que tenho verdadeiramente por perto. Os meus olhos dizem que sou transparente como a água que corre nas nascentes da minha serra, não sei fingir afeição e quando me entrego é para sempre. E ainda que tudo isto possa ter um fim, o qual não conhecemos, sou uma verdadeira abençoada pelas pessoas luz que cruzaram a minha vida. 

Brindo sempre, e ontem brindei aos 33.

Obrigada a todos os que estiveram desse lado.