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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

À minha mãe...a estrela do meu Natal

26.12.18 | Liliana Silva

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Escrevo-te muito...

Falo-te ainda mais...

Às vezes zangada e revoltada, outras vezes triste e amargurada, muitas vezes desabafando apenas o meu dia como se de um diário te tratasses. Mas tu sempre foste isso mesmo, o meu diário aberto e sem medo de rasurar. Falar para ti é falar livremente. Sempre o foi. 

E se em todos os dias sinto necessidade disso, em épocas especiais como esta de agora prefiro não me alongar nas palavras. Tornar-me-ia repetitiva. Em dias de festa como estes que se avizinham prefiro ir ao baú das minhas memórias e recordar como era bom o Natal ao teu lado, como era único, como era especial...e sabes? Caramba, sentimos sempre falta das coisas boas que passamos, tendemos sempre a ganhar uma certa nostalgia quando nos faltam os momentos bons. Mas sabes mais? Sei que os aproveitamos ao máximo, oh se aproveitámos...

Éramos três numa mesa de seis, fazíamos sobremesas como se a família fosse de doze, as prendas amontoavam-se em redor do pinheiro, mesmo que soubessemos o que estava por lá, e que pareciam para 18...as doze badaladas eram sagradas, mais ainda o beijo ao menino que colocavamos na manjedoura quando o sino ecoava lá no alto. Tiravamos fotos a cada prenda aberta, decifravamos as histórias por detrás de cada uma...e o calorífico...ter o calorífico na sala era sinónimo de calor extremo (aquele que tanto sempre gostei) e de momentos acolhedores. Não faltava o peru depois de abertos os presentes...e éramos só três. Porra pahhh fui sempre tão abençoada.Tive sempre tanto ao meu redor, e é tão difícil às vezes aceitar que certas coisas têm o tempo contado...

Mas não me esqueço e faço questão que o pequeno cá de casa possa ter também as suas lembranças felizes destes tempos de família.

Se a ele o faço, a ti o devo! Se não deixo cair a magia é porque em momento algum deixaste de me fazer sonhar. Se me reivento a cada dia, foi porque tive pilares suficientemente fortes que me fizeram acreditar sempre nos nossos sonhos e naquilo em que queremos acreditar. Escrevi a minha última carta ao "pai natal" com 25 anos. Muito tempo depois de ter descoberto onde ele se apoiava para colocar no "sapatinho" os nossos pedidos. Muito tempo depois de perceber que vocês, pai e mãe, eram mesmo muito especiais...mas não deixei de escrever, porque escrever deixa-nos memórias palpáveis. Escrever tráz-nos aos olhos a doçura das palavras. E fiz sempre questão de vos deixar escrito o quanto vos queria bem nas minhas cartas natalícias.

Não te preocupes Mãe...por mais triste que esteja, por mais zangada que às vezes fique...a magia essa, nunca desaparece. Fui educada a acreditar no valor dos sentimentos e das emoções. não fazia sentido não implantar isso no coração do pequeno príncipe T.

Não te preocupes Mãe...ainda que às vezes a vontade seja reduzida, a casa vai estar quentinha, as sobremesas serão muitas, os presentes estarão em redor da árvore, a música vai continuar a ouvir-se, as gargalhadas estão garantidas ou não tivesse eu um mini alegre e feliz em casa e as conversas, essas,  serão sempre sobre o telhado de estrelas que ganhei desde o dia em partiste.

Guardo-te eternamente no meu coração, lugar sagrado onde só entram os corações nobres de sentimentos.