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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

03
Ago17

A tarde perfeitamente imperfeita :(

Liliana Silva

20160906_112300.jpg

 

Relativizei naquele momento o que achei mais um absurdo daquilo que a vida nos prega.

Relativizei aquilo que na altura me tocou, me magoou e quase me fez chorar.

Relativizei e respondi friamente "a vida tem destas coisas ingratas"...até a mim me soou mal esta resposta.

Mas a verdade é que mais uma vez preferia não ter ligado a televisão, preferia ter ficado na ignorância que até às 20h me parou o corpo e gelou a minha alma. Tinha acabado de me chatear com o pequeno principe T. Tinhamos acabado de discutir, ele de gritar e chorar e eu de me enervar...sabem porquê?! Por ninharias...por merdas (desculpem o termo) sem sentido, por implicação e parvoíce ainda maior da minha parte. Ao ligar a TV e ouvir o absurdo com que todos os canais de televisão abriram os noticiários, agarrei nele e levei-o para o banho. Ele soluçava e eu só queria conseguir acalmá-lo...a ele e a mim que estava gelada com tamanha noticia. Depois do banho agarrei nele e deitei-o na cama, massagei-lhe as costas e pedi-lhe que respirasse fundo. Disse-lhe que o amava e pedi-lhe desculpa. Sim, a mamã sabe pedir desculpa e sabe ver que errou, sobretudo depois de mais uma notícia parva e sem sentido, sobretudo depois de assistir mais uma vez ao poder que temos sobre a vida - nenhum!!

Pedi-lhe desculpa vezes sem conta e abracei-o. E ele, no auge dos seus 4 anos respondeu apenas isto "já pediste desculpa "milhentas" vezes mamã, eu desculpo-te sempre". As minhas desculpas não foram só e apenas porque gritei com ele ou porque o pus de castigo. A minha culpa estava naquele momento agregada a outras vidas, àquelas que ficaram presas para todo o sempre naquela praia. A minha culpa foi mais uma vez ter esquecido que a vida foge-nos por entre os dedos como bolas de sabão que rebentam sem nos darmos conta. A minha culpa foi achar que naquela zanga, o orgulho de mãe "ferida" podia ser maior do que a perda de uma filha numa simples tarde de praia.

O papá regressou do trabalho e contámos-lhe que nos tinhamos zangado os dois. Depois de tudo mais calmo, o papá disse "é incrivel como vocês conseguem estar de birra um com o outro e no minuto seguinte já estarem assim como se nada fosse, aos beijinhos e aos abraços" e eu limitei-me a responder calada...há coisas essenciais que nunca nos deveriam ser roubadas, ainda para mais assim, sem sentido.

 

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