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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

25
Set17

A vida por um fio

Liliana Silva

IMG_0848.jpg

 

 

 

 

Dou por mim a olhar para ele, a agarrá-lo, a passar a mão pela sua cara e pelo seu cabelo enquanto dorme o seu sono de menino feliz. Ali parada no tempo são muitas as imagens que me vêem à memória e são muitos os desejos que tenho para esta pequena criatura. Ali de frente para a vida exijo-lhe que seja feliz e que viva intensamente cada minuto. Ali olhos abertos com olhos fechados os medos, as ânsias, os "ses" e os pesos tomam outras dimensões e transportam-me para as coisas que temos sempre receio que nos possam acontecer. Sou mãe. Mas acima de tudo sou um ser humano falível. E é desta falência que falamos. É destas faltas que todos nos devíamos lembrar quando decidimos abrir a boca e expor tudo o que sai sem pensamento e tudo o que é dito sem consciência. E quem sou eu, ser humano falível para criticar? Quem sou eu, mãe imperfeita para dizer que faço ou aconteço quando na realidade isso nunca depende de nós? Quem sou eu, mulher para saber mais que os outros só porque tenho um sexto sentido mais apurado?

Do que vos adianta a vocês, opinadores sem profissão, expor em praça pública se acham bem ou mal determinado acontecimento? Do que vos adianta a vocês, geradores de conflito gratuito se aquela mãe é ou não culpada? Se deve 

O que vos serve é única e exclusivamente a vossa força maior de criticar os outros para que não sejam alvo de criticas. Porque todos, quer queiramos ou não somos alvos facéis das opiniões alheias.

O menino de dois anos que foi colhido a semana passada por um comboio numa localidade da cidade da Guarda morreu. O menino de dois anos estava a brincar, típico da idade, onde correm desalmadamente, onde tentam fugir sem receios, onde não vêm mal em nada, onde não têm noção do perigo, onde o mundo parece ser todo deles.O menino de dois anos deveria estar acompanhado e bem vigiado. Mas a quantos de nós não aconteceu já um sobressalto por desvio de olhares por segundos? A quantos de nós eles não "enganaram" já, não fugiram já, não se engasgaram com objectos, não se deitaram à água? A quantos nós ou aos nossos mais próximos? É fácil criticar? Sim. É fácil opinar? Muito. 

Mas e o resto? E o essencial? E o que fica? Ou melhor o que não fica? Ficámos todos sem mais uma criança. Ficámos todos mais pobres e tristes. Mas poucos se lembram disso, porque não a temos como tal. Não é nossa familiar, não é nosso amigo, não é sequer nosso conhecido...Será que somos assim tão irrepreensíveis?! E intocáveis? E perfeitos?

Àquela mãe, que perdeu o seu menino eu desejo apenas que ela consiga encontrar a paz de uma vida roubada. A vida, o tempo e as pessoas vão encarregar-se dos juízos e das penas morais.

Eu vou continuar a olhá-lo aqui deitado na sua cama quente e rodeado pelos seus amigos de eleição. E vou continuar por aqui na certeza que a vida nos prega partidas sem graça e desejar que ela nunca encontre o meu menino para lhe pregar estas partidas desesperantes para pais como nós.

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