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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

15
Fev18

A vocês...crianças sem culpa

Liliana Silva

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Hoje a manhã acordou chuvosa, fria, farrusca...

Hoje de manhã o despertador tocou e nós paramos, e adormecemos, e acordamos sobressaltados...

Hoje a manhã tornou-se em mais um dia de correria desenfreada para conseguir cumprir tempos, para conseguir chegar a horas e tu só querias brincadeira e ronha. Querias aquela paz que em muitos dias te consigo dar, mas que hoje não me foi possível. A custo, a rabujar, a fazer cara de mau lá consegui que fosses ajudando às tarefas diárias.

E tu dizias-me que estavas cansado, que querias ficar em casa, que não querias ir para a rua com este frio e esta chuva. E aqui a adulta com compromissos não te pode dizer que sim, impõe-te uma rotina necessária e daquela linha não podemos sair.

Agora, ao teclado do meu computador do trabalho dou um suspiro, um ai profundo que me faz pensar em tudo o que sempre penso, nas correrias desenfreadas, nas manhãs atribuladas, nas respostas às vezes menos próprias no "calor" do momento. Olho o calendário e o coração bate mais forte. Abro as redes sociais e percebo que este dia é de luta. É apenas mais um dia, mas que sirva para conscencializar, para chamar a atenção deste flagelo, para fazer crer que o cancro infantil existe e que atinge milhares de seres indefesos que a cada dia que passam se tornam mais frágeis.

Agora, sentada e com as letras debaixo dos dedos perco-me no horizonte da rua, e culpo-me por esta sociedade tão cheia de regras, por este mundo sempre tão atarefado, por estas pessoas que olham o relógio e o seguem religiosamente, e culpo-me por ser mais uma delas. Culpo-me porque não tenho a capacidade de desafiar estas regras, estes horários e este stress que me entra corpo e mente dentro sem que dele me aperceba.

Vivemos na corda bamba e nem reparamos bem no que isso se poderá tornar se nos desequilibramos. Vivemos em constante disputa com o tudo que se pode tornar a qualquer momento no nada.

Hoje e porque os dias merecem mesmo ser aproveitados vou dar-te aquele copo de sumo que me pedes quase todos os dias ao jantar, vou deixar-te ouvir a música em tom mais alto, vou deixar que durmas na minha cama e vou fazer questão de me agarrar a ti e dormirmos juntos. Hoje vou tentar registar mais uma vez no coração mas sobretudo na mente que a vida é uma estrada sem sinais de trânsito e somos nós que temos de ter a noção do que queremos para o nosso caminho. Hoje e espero que em muitos dos nossos dias juntos eu possa ter a capacidade de te deixar andar ao ritmo da criança saudável que és.

Porque enquanto tu me pedes coisas tão básicas e típicas da criança que és, há outras tantas que pedem apenas que as deixem de picar, que não lhes cortem os poucos tufos de cabelo que ainda lhes resta, que não tenham de passar os dias em quartos isolados de tudo e todos os que lhes são mais queridos. Há outras tantas que tiveram de trocar os corredoras das escolas por corredores de hopitais e os livros por sacos de quimioterapia que aos poucos os queimam por dentro.

Hoje e sempre príncipe meu que eu tenha a capacidade de saber que podes e deves ser apenas criança.    

 

 

 

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