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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Coração em Chamas...

14.08.17 | Liliana Silva

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O pequeno príncipe T voltou a perguntar demais pelo fogo, pelas pessoas que nele gritam, pelos bombeiros que correm com as pesadas mangueiras às costas…e nós resolvemos:

Recusámos a televisão

Recusámos Canais noticiosos

Recusámos a rádio nas horas informativas

Passámos o fim de semana em estado de alerta, mas não querendo dramatizar aquilo que por si só já é dramático. Passámos as horas das refeições a ouvir música, a conversar sobre coisas supérfluas, a tentar afastar os pensamentos que nos faziam corroer por dentro, a tentar afastar o olhar do horizonte onde o negro sobrevoa o céu, a tentar que o cheiro vindo da rua não entrasse pela casa dentro.

Olhos que não vêm, coração que não sente…e foi mais ou menos isto…

Sim estamos a enganar o impossível, a esquecer o dramático, a colorir o negro das paisagens.

É esta a forma de proteção que encontrámos para ele, mas principalmente para nós que sabemos melhor que uma criança o que estes dias estão a causar na vida de muitos, na floresta de todos e no dia a dia de cada um. E falar sobre isto não acrescenta nada de novo, mas escrever sobre o assunto faz-nos deitar cá para fora, através de palavras aquilo que nos queima a alma e o coração.

Não somos insensíveis, não conseguimos inverter a realidade, não podemos colorir tudo de rosa, simplesmente queremos um mundo diferente, queremos um mundo onde não tenhamos de explicar a cada hora que passa, a uma criança amedrontada que o fogo por aqui ainda está longe. Porque o nosso dever é acalentar-lhes o coração e não deixar-lhes o medo lá plantado.

Hoje o fumo tapou o sol, acordámos todos mais pobres que ontem, mais fracos e mais doentes. Vai-nos faltar o ar puro durante os próximos anos e isso trará a nossa decadência acentuada e sem explicação. Hoje os carros estão “enfeitados” com as faúlhas que vêm de longe (longe mas já perto para se fazerem notar) e o horizonte escondido pelo fumo.

Para ele, hoje o dia está de “tempestade”, diz que vem lá chuva porque está escuro, porque o sol está escondido. E eu murmuro bem baixinho que essa chuva devia mesmo chegar, com força, com garra, com expansão. Porque para nós o dia é mesmo de tempestade e terror, de aflição e sobretudo de solidariedade para quem lá está no meio, seja a sofrer ou a combater.

Hoje o sol tomou tendências avermelhadas, sinónimo de um coração em chamas. O coração de um povo que se debate contra um mostro chamado fogo.

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