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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

28
Mai18

DIA DAS CRIANÇAS DESAPARECIDAS

Liliana Silva

 

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Parece-me um título inadequado e só de teclar estas letras e formar esta frase dá-me uma nó na garganta e um aperto no coração. Hoje pela manhã dei de caras com a mãe do Rui Pedro, quem não a conhece não sabe o que é agarrar a vida em busca de respostas que teimam em não chegar mais de vinte anos depois do desaparecimento do seu menino.

Seria injusta, fria, desprovida de sentimentos se dissesse que sei o que ela sente, o que ela vive ou o que é estar sem a razão de viver dos nossos dias...

Na sexta-feira assinalou-se o Dia das Crianças Desaparecidas e na minha ingenuidade não consigo aceitar que se marque um dia como este, quando para pais e mães que sofreram ou sofrem esta "perda" será sempre dia de relembrar quem "se foi". Um tema fracturante da sociedade que continua a não ter respostas concretas e certas para aqueles que pura e simplesmente deixam de ter rasto, para aqueles que num abrir e piscar de olhos deixa de existir. Nunca temos nada como garantido, mas sofrer deste problema é viver com a incerteza do que aconteceu, do que realmente se passou, onde é que cada um falhou para que por descuido do destino aqueles meninos e meninas deixem de existir para pai, mãe, irmãos, avós, amigos, sociedade...

E não, continuo a dizer que não me consigo colocar neste lugar porque só de pensar fico de coração apertado e respiração ofegante. "Perder" assim um filho é nunca fazer o luto na sua necessidade. Procurar pistas, detectar pormenores, divagar sobre o incerto é sem dúvida o maior desgaste que uma pessoa pode ter, quanto mais fazer tudo isto buscando um filho?

Ter um filho e perdê-lo para o incerto, para o vazio, para um túnel longo demais será uma dor inglória, será um constante alvoroço interior, uma forma de viver não vivida. Não consigo imaginar. Se algo se assemelhar a estar em casa, chamar pelo teu filho e ele não responder e não o encontrares em canto nenhum da casa se assemelhar com isso então vos garanto que é um sentimento de impotência e de coração na boca. O pequeno principe T com cerca de 1 ano e pouco decidiu esconder-se. Não respondia, não fazia barulho, não deixou pistas e eu a gritar cada vez mais alto...nada...passei três vezes pelo mesmo local e não o vi, tal já era o meu estado de desespero...e nada...comecei a chorar e a revirar o que havia há volta...nada...

Tentei acalmar-me...ele não tinha saído de casa, as janelas estavam fechadas portanto ele tinha de estar ali...e estava...não vos consigo transmitir em palavras o que senti quando o descobri em baixo da secretária, de olhar arregalado e de sorriso no rosto como que a querer dier-me que me tinha apanhado...e apanhou...um susto que guardo ainda hoje...um susto que passou...

Mas há sustos que não passam, e os dos pais com filhos desarecidos nunca passa...a minha solidariedade para com todos...e a certeza de que tudo o que fazem em busca dos vossos meninos nunca é em vão. Desistir ou não de procurar?! No fundo, naquele pedaço de coração que todos temos mais escondido acredito que cada passada que dão é em busca de novas pistas e informações...que assim seja sempre porque eu ainda acredito que milagres acontecem.

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