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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

JUNTOS POR TODOS - SOMOS MAIS FORTES

28.06.17 | Liliana Silva

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Ontem estivemos Juntos por Todos.

Ontem a noite foi de superação, de emoção, de companheirismo e de dinamismo.

Evitaram-se guerras de audiência, as guerras entre locutores, as guerras entre caches de artistas. Evitaram-se comparações de vestidos e sapatos, de jóias e adereços. Ontem a noite mostrou-nos que sempre que é preciso, o essencial vem ao cimo.

Ontem não precisámos do zaping para nos entreter, não precisámos mudar estações de rádio para encontrar a música que mais nos soa aos ouvidos. Estávamos todos à espera do ontem. Acredito que boa parte de nós, portugueses tinha um friozinho na barriga, uma expectativa acrescida de um evento solidário único e organizado em tempo record. Ontem todos torcemos para que as coisas corressem bem, para que não houvesse falhas, e se as houvesse não seria isso que estragaria aquela noite. Ontem, cada aplauso valeu por mil, cada lágrima fez lembrar os 64 mortos e os mais de 200 feridos, cada sorriso deu mais valor aos nossos bombeiros.

Ontem não havia objectivos de share, porque os números eram trágicos. Ontem havia uma só palavra que ecoava no ar: Solidariedade.

Ontem o povo de Pedrogão Grande, de Castanheira de Pera, de Figueiró dos Vinhos, de Góis e de tantas outras localidades afectadas por esta tragédia souberam que não estavam sozinhos, e que estamos todos a lutar por eles.

SE o ontem apaga o que aconteceu naquela fatídica noite? Não

Se todo o espectáculo montado trará as vitimas de volta? Infelizmente Não

Se tudo aquilo podia ser evitado? A minha convicção é que sim, podia e devia.

Mas ontem fomos grandes, ontem mostrámos que juntos conseguimos ser verdadeiramente mais fortes.

Ontem a noite serviu para lembrar os mortos, os desalojados, as familias destruidas, as casas ardidas, a natureza cinzenta e queimada, mas serviu sobretudo para celebrar a VIDA. Serviu para fazer acreditar que os sonhos têm de continuar a existir, e nós, que ontem contribuimos para o tal milhão, servimos para erguer casas, para acalentar os corações e para sarar as feridas da alma. Não é o dinheiro que vai "safar" aquela gente, é a certeza que fica, que nós não os deixaremos jamais sozinhos e entregues à sua sorte uma vez mais.

A partir de ontem todos nós iremos exigir muito mais, iremos pedir muito mais e iremos com certeza fazer muito mais. Só posso acreditar nisso, só posso acreditar que a humanidade e o povo português não esquecerá jamais e não deixará que isto se repita.

Temos corações de ouro nesta sociedade que às vezes consegue ser mesquinha e hipócrita. Ontem cada um de nós deu o que podia para ajudar. No terreno estão outros tantos que todos os dias se voluntariam para que as coisas possam seguir um rumo mais normal. Na tragédia estiveram os bombeiros a arriscar a vida para extinguir esta calamidade. A única coisa que peço é que nas cadeiras do parlamento estejam homens e mulheres capazes de arregaçar mangas e evitar que tudo isto possa voltar a acontecer. Porque as falhas existiram, porque devem ser analisadas e corrigidas. Tudo o resto já não vale a pena quando não recuperaremos a Lígia, o Sérgio, a Sara, o Gonçalo, o Fernando, o Miguel, a Mafalda, o pequeno António e o seu irmão Joaquim, o Eduardo, a Cristina, o pequeno Rodrigo, o Jaime ou a Fátima e tantos outros que foram apanhados no meio de uma situação que nunca terá a explicação necessária para resolver a morte.

E polémicas à parte de tudo( sim sim a do Salvador também...ehehe), porque somos sempre tão bons a criticar, ontem fomos muito melhor a ajudar. Que seja esse o registo de uma noite digna de marca própria para mostrarmos aos nossos filhos.

Ontem o pequeno príncipe T perguntou o porquê daquele espectáculo, ele que adora música, luzes, colunas de som, miscrofones e fios. Poder-lhe-ia ter dito que era um concerto sem grandes explicações, ao invés disso, preferi dizer a verdade, preferi que na pequena consciência que ainda tem dos assuntos, ficasse com a verdade e hoje ao acordar pediu para quando regressar da escolinha, poder ver o resto do "concerto de homenagem". Como vêm até um pirralhito iludido com o mundo do espectáculo, consegue reter na sua mente a palavra homenagem. Que seja sempre assim...