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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Nós...mães da Nova Geração

02.07.19 | Liliana Silva

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Dizem que nós, mães da nova geração, não sabemos ou não sentimos as dores de parir um filho porque temos ao nosso dispor um sem número de possibilidades que nos encurtam o tempo de espera e a dor.

Dizem que nós, mães da nova geração, não sabemos deixar chorar as criancinhas e andamos consequentemente em volta delas com muito colo, muito mimo, muita atenção.

Dizem que nós, mães da nova geração, não sabemos ou não queremos dar a mama aos nossos rebentos com medo das dores que isso provoca, ou ainda pior, porque não queremos peitos descaídos e flácidos.

Dizem que nós, mães da nova geração, não sabemos escolher as roupas para as nossas crias, porque acham que preferimos roupas bonitas a confortáveis e práticas

Dizem que nós, mães da nova geração, temos a mania das comidas saudáveis, de achar que os avós estragam os miúdos com as bolachas ou com os chocolates, acham eles que são manias nossas e maneira práticas de querer mandar nos nossos filhos

Dizem que nós, mães da nova geração, ocupamos o tempo dos nossos filhos com actividades extracurriculares para termos mais tempo livre para nós mesmas

Dizem que nós, mães da nova geração, vivemos na ilusão de uma vida social onde tudo o que fazemos temos de expor nas redes sociais

Dizem que nós, mães da nova geração, dedicamos mais tempo aos telemóveis do que a brincar com os nossos filhos, que temos pouca paciência, que compramos comida pronta a aquecer, boiões de fruta já descascada e pronta a engolir

Dizem que nós, mães da nova geração, não deixamos sujar os meninos, não deixamos que eles comam doces e que temos a mania dos açucares…

Dizem que nós, mães da nova geração, somos o 8 ou o 88…ou os colocamos debaixo das saias e de lá não podem sair ou os entregamos aos cuidados dos avós para podermos curtir a vida…

Dizem que nós, mães da nova geração, não sabemos agir…ora os deixamos tempo demais a brincar, ora os obrigamos a “estudar” e a serem perfeitos

Dizem que nós, mães da nova geração, nos preocupamos em demasia e somos demasiadamente despreocupadas.

Dizem que nós, mães da nova geração, não estamos preparadas para isto de ser Mãe…e para além de o dizerem, fazem questão de o demonstrar com a crueldade do dedo apontado e da língua afiada.

O que eles e elas não sabem e não dizem, porque não sabem e nem querem saber é que para todas estas críticas, para todas estas parvoíces, para todas estas asneiras, nós mães imperfeitas respondemos com AMOR, o amor incondicional que temos pelos nossos filhos. Aquele amor que nos faz dar colo em vez de os deixar chorar, que nos faz dar o biberão ou a mama, que nos faz por de parte a bolacha de chocolate e optar por um snack mais saudável, que nos faz virar o mundo e correr contra o tempo para que eles possam estar nas actividades que mais gostam, que os deixa andar na terra da mesma forma que lhes pede mais cuidado numa ou outra situação.

O que as más línguas não sabem é que ser mãe não traz livro de instruções, não aprendemos a desligar o botão das birras, não há botões de pausa, não há botões do volta atrás ou de passa a frente.

O que as más línguas não sabem é que fazer escolhas para eles põe-nos todos os dias na corda bamba das críticas. Erguemos com orgulho a capa de heroínas, trazemos ao peito o S de Super Mães, Super Mulheres, Super Amigas, Super Protectoras.

Corremos todos os dias a maratona das nossas vidas para que nada lhes falta com a certeza que nunca demos o nosso melhor. E aí vêm as dúvidas, vêm as questões, vêm as culpas próprias…e quem nos as tira? Quem nos diz que somos realmente boas? Que estamos a fazer um bom trabalho? Que estamos no caminho certo? Quem nos agarra nos ombros, nos olha olhos dentro, nos pára para o mundo e nos faz simplesmente sentir bem?

A nós, mães da nova geração ou da velha guarda ergam-nos uma estátua!! Fazer bem todos fazem…mas fazer sempre e para sempre é muito mais difícil