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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

O casal e a perda de um filho

Liliana Silva, 09.11.21

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Há nove anos éramos pais de primeira viagem e numa atribulação e reviravolta da vida, caiu-nos aquele bebe no colo com a principal tarefa de nos ensinar. Pouco sabíamos ao que íamos, nada tinhamos planeado, e tornou-se a maior aventura das nossas vidas. Acredito piamente que deste lado, crescemos a três, aprendemos a três e safamo-nos a três. Creio que continuamos envoltos naquela roda gigante a que chamamos vida e estamos longe de atingir o patamar da perfeição (sei bem que não existe ).

Este ano, seria o ano em que iamos , talvez, aproveitar o que na realidade uma gravidez pode trazer, alegria, entusiasmo, esperança...um sem número de adjectivos que acredito piamente também fazerem parte da notícia de um novo ser vivo no mundo e mais particularmente numa família. Sabiamos bem que seria tudo muito diferente, ou talvez até muito igual, mas sabíamos sobretudo que queríamos aproveitar mais aquela experiência do que conseguimos há nove anos atrás.

Quis o destino, a vida e a infelicidade que não fosse assim. Havia planos, houve remodelações e ficámos apenas e só de colo vazio. Ouço falar de casais que não aguentam, que não recuperam, que não se conseguem reerguer enquanto casal, depois de uma perda destas. Talvez por muitas pressões, talvez por sonhos destruídos que apontamos ao outro, talvez por não conseguirem despertar da dor que uma situação destas nos coloca. Infelizmente as expectativas são tantas, que acabamos por nos afastar, por nos fechar num casulo, por não expressar sentimentos...e isso é tudo menos saudavel para uma relação a dois. Dois que perdem um filho. Dois que tinham planos e acabam por deixar quartos vazios e corações despedaçados.

Não quero com este texto expor a minha realidade, muito menos ajuizar quem, feliz ou infelizmente decide rumar em caminhos separados. Apenas dizer que o que aqui se viveu foi a 2. Sempre a 2. Decisões, choros, angústias, medos, até os silêncios foram a 2. Soubemos mais uma vez ser uma parelha que vai remando a 2 contra o que se abateu. Valeu-nos isto! Valeu-nos cada um pegar na sua dor e juntar tudo com o intuito maior de nenhum ficar para trás. Com a certeza que queremos continuar juntos por nós e pelos TT.

Um conselho?! Apenas que não se isolem enquanto individualidades, porque quando se perde um filho, perdem os dois, ficam os dois mais pobres, mas poderá existir um suporte maior chamado AMOR, que vos fará continuar.

Um beijinho 

Liliana

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