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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

O regresso não desejado

Liliana Silva, 04.05.20

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É hoje

O dia da retoma

O dia do (re) começo

O dia do desconfinamento

O dia das segundas oportunidades

A segunda feira mais pedida por muitos

Mas pergunto eu... Será que somos capazes? Será que estamos à altura desta nova chance? Será que aprendemos alguma coisa com tudo o que temos passado? Não quero ser desmancha prazeres mas...

Por aqui, nós nos vamos manter... Por aqui não há desconfinamento...nao deixa de haver isolamento... Não regressaremos à normalidade. A escola está suspensa, e com o miúdo em casa, vamos manter as rotinas que adquirimos à quase dois meses (sim sim já lá vão quase dois meses...)

E, desculpem os mais activos da sociedade, eu agradeço poder continuar no meu casulo, protegida, a olhar pela janela e a observar o que por aí vem. Porque sei que temos de aprender a viver com isto, mas também sei, por prova viva que não estamos ainda preparados para tal. 

Se alguém tem de começar? Pois claro que sim, eu apenas agradeço não ter de ser eu.

Porque sei que as pessoas estão sedentas de rua, de contactos, de toques. Porque sei que para muitos esta nova fase de calamidade significa o fim do vírus e infelizmente não é bem assim que a coisa lá vai. Porque sei que com este desconfinamento há pessoas que acham que a vida volta ao normal e que já está tudo bem, e lamento informar mas não, não está tudo bem, está sim a melhorar, mas não está tudo bem.

Eu agradeço poder ficar por aqui, porque eu tenho medo. E não é tanto medo do vírus!!! É mais medo das PESSOAS. Das pessoas que acham que esteve sempre tudo bem e por isso vão continuar a não tomar as devidas precauções, daquelas que acham que já está tudo bem e vão baixar a guarda, daquelas que acham que os outros são uns exagerados e se querem sobrepor aquilo que nós queremos, daquelas que acham que a eles nada lhes toca e que como nunca vão apanhar, nunca vão passar aos outros.

Não está tudo bem!

Não está tudo normal!

Não podemos fazer o que antes fazíamos!

E até as pessoas reconhecerem isso... Temo que a coisa possa piorar!! (assim eu esteja enganada).

Não sei o que vai nos vossos corações, mas no meu reina o sentimento de ter de aprender a viver novamente em sociedade, porque a partir de hoje, qualquer aproximação ou toque não será assim tão benvindo e vamos ter de aprender a lidar com isto o melhor que sabemos.

Não se trata de má educação, não se trata de exageros, não se trata de olhar para o próprio umbigo...trata-se talvez do bem comum, porque a minha liberdade termina quando começa a do outro.

Não é do pé para a mão que volto a estar com a família, não é de ânimo leve que vou começar as tão apetecidas jantaradas com os amigos, não é de certeza de espírito livre que regresso aos convívios com os conhecidos... aos poucos a coisa pode compor-se, mas para já aqui eu ponho o pé no travão e só levanto quando achar que consigo enfrentar sem dúvidas a pairar sobre a minha cabeça.

Se entendermos isto, talvez estejamos mais perto de voltar a uma normalidade aparente e mais positiva, que nos faça a todos repensar o que queremos deste mundo que nos fez abrandar e mesmo PARAR.

 

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