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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

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Ele, o microfone e a mamã

17
Nov17

O valor do dinheiro...O Poder e o Querer

Liliana Silva

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Há umas semanas atrás voltou à cidade o Circo. Desta feita o Circo Nederlan. Os senhores são espertos em todos os pormenores. Tenda montada mesmo ao lado de uma grande superficie comercial (onde passamos várias vezes durante a semana), cartazes por toda a cidade, e oferta do bilhete de criança na compra de um bilhete de adulto. 

Dado que tinhamos estado no circo há menos de meio ano, convenci-me (na minha ingenuidade natural) que o miúdo não voltaria a pedir ou a ansiar por outro tão cedo. Claro está que enganei-me mais uma vez. Confesso que não foi uma pressão muito forte, mas ele lá falava no assunto todos os dias, e quando se apercebeu que o fim-de-semana estava a chegar começou a dar mais ênfase aquilo.

Antes de toda esta situação há algum tempo atrás começamos a dar-lhe umas moedas para ele guardar. Ele tem o porquinho mealheiro que não abre (se não partido) e até à data era para ali que ele amealhava muitas das moedas que lhe davam (optámos sempre por dividir, uma moeda para a carteira e outra para o porquinho). Achamos que estava na altura dele começar a ter contacto com o significado do dinheiro e como tal, começamos a dar-lhe algumas moedas que ele guardava numa carteira. Religiosamente lá contava as ditas cujas e tentava perceber quanto dinheiro tinha. 

A primeira situação em que quis usar o seu dinheiro foi numa ida ao shopping, quis andar nos carros electricos que estão disponiveis por lá e que permitem andar um determinado tempo no meio do espaço sendo ele próprio a conduzi-lo. Custou-me que estivesse a dispender 4€ por 20minutos de voltas, mas ele estava decido e não hesitou quando abriu a sua carteira e retirou de lá quatro moedas. Aí ele percebeu que ficou com menos dinheiro, mas confesso que lhe deu tanto gosto aquelas voltas que não sentiu a mesma pena que eu...

A segunda situação, e esta mais cara foi exactamente na ida ao circo. Tentei explicar-lhe que tínhamos ido ao circo à pouco tempo, que não havia necessidade de estarmos outra vez a assistir a coisas que provavelmente iam ser iguais ao anterior, até que cheguei à parte do "a mãe não tem dinheiro para comprar o bilhete, há coisas que são mais urgentes como comprar a comida ou pagar o gás e a luz e tens de perceber que o dinheiro não dá para tudo". Testei a última situação que me pareceu que o iria por a prova. Pois, enganei-me. Ainda que tivesse hesitado, agarrou na sua carteira mágica e pediu-nos para contar o dinheiro...

Faltava-lhe, creio que cerca de dois euros, que com a simpatia "exagerada" do avô e do pai, conseguiu amealhar sem ser preciso pedinchar muito. Ora dinheiro junto, ele ofereceu-se para pagar o meu bilhete, sim porque o dele era grátis lembram-se?! 

Voltei à carga com as minhas tentativas de explicar que se gastasse aquelas moedas todas, não ia ter mais tão depressa para comprar algum miminho que quisesse. Tentei explicar que não podia ser sempre aquilo que ele queria porque simplesmente não havia dinheiro para tudo, mas confesso que estava tentada a ver até onde ele ia com a situação de ficar sem moedas. 

A verdade é que ele foi mesmo com a sua decisão até ao fim, a verdade é que nem fui com ele comprar o bilhete, porque pensei que se ia arrepender quando visse a carteira vazia, a verdade é que acabamos os dois sentados nas cadeiras do circo, e a verdade é que ele comprou aquele bilhete com uma vontade descomunal (segundo o avô que foi com ele à bilheteira).

Ele gastou o dinheiro e eu optei por, às escondidas colocar o dinheiro no porquinho que não abre, mas ele gastou o dinheiro e veio de lá satisfeito. Até ver ainda não pediu nada que tivesse de comprar com o "seu" dinheiro e já começou novamente a amealhar. Ele lembra sempre essa situação e diz à boca cheia que por eu não ter dinheiro para ir ao circo foi ele a comprar o meu bilhete. E eu não sei até que ponto foi a melhor opção que tomei...na altura foi a que achei mais prática e correcta. E hoje sei que a caminhada é longa, mas também sei que assim ele começa a ter pequenas noções do que é poder e querer.

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