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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Os desabafos sobre as disparidades interior/litoral

04.12.17 | Liliana Silva

Tenho realmente o coração entristecido...

Ultimamente tenho sentido na pele as disparidades entre o litoral e o interior, e olhem que até aqui nem sequer isso me passou muito pela cabeça. Nunca foi coisa em que pensasse deliberadamente e muito menos foi coisa que importunasse a minha rotina e o meu dia a dia. Não gosto de confusões, não gosto de gente stressada, não gosto de correrias desenfreadas...e só por aí nunca nada disto me chamou grande atenção.

Nunca me senti desvalorizada por estar no interior. Nunca me senti descriminada por viver no "mundo serrano"...mas atenção estamos a falar de situações do quotidiano, de coisas banais porque quanto ao resto haveria muito a falar sobre estas descrepâncias.

Mas realmente tenho o coração entristecido por um miúdo de 5 anos que me tem deixado a questionar estas disparidades, que me deixa a fervilhar por esta desigualdade, que me deixa a pensar que realmente o país é Lisboa e pouco mais. 

O miúdo vê o anúncio do filme do BOB Construtor e quer ir ver. Pesquisa feita percebemos que o filme, para já, só estará por Lisboa e lá temos nós de explicar que por cá também temos outros filmes interessantes e tentamos desvalorizar a situação.

O miúdo vê o anúncio ao espectáculo da POPOTA e ouve mais uma vez a palavra "Lisboa" e questiona se podemos ir ver. Voltamos a explicar que Lisboa ainda é longe, que só temos os fins-de-semana disponíveis e que nalguns deles um dos dois tem de trabalhar.

O miúdo vê o directo das transmissões do "Wonderland Lisboa", vê inclusive na televisão o primo na casinha do Pai Natal e aqui a coisa descambou. Aqui senti na pele a tristeza dele e a minha por às vezes não conseguir contornar esta situação. Conteve-se até chegar ao carro, a viagem de regresso a casa foi quase "muda" e quando o pai sai do carro ele desabafa:

"Mas isto que eu gosto é tudo em Lisboa? Porque não pode ser aqui na minha cidade? Mas é tudo em Lisboa porquê? E os outros meninos não podem ver as coisas importantes porquê?!

Murro no estomago e aperto no coração. Dei-lhe razão, porque efectivamente é a mais pura das verdades, e tentei mais uma vez desvalorizar a situação. No fundo tentei acima de tudo explicar-lhe que a capital era uma cidade maior que a nossa e que por isso tinha mais actividades. Chamei-o a atenção que também já tinha estado com o pai natal, que também já tinha estado na sua casinha, mas ele achou aquela maior e mais engraçada, porque a "galinha da minha vizinha é sempre maior que a minha! né?! Expliquei-lhe que já fomos também várias vezes a Lisboa, ver espectáculos, visitar monumentos entre outras coisas...mas que este mês era complicado arranjar tempo e disponibilidade...

O que me restava?! Prometi-lhe que íamos ver uma casinha de pai natal nova, fora da cidade, não a de Lisboa mas outra diferente. Vou cumprir, mas mesmo assim gostava de poder também eu entender melhor a coisa para conseguir "desenvencilhar-me" destas questões pertinentes de um miúdo de 5 anos que já sente na pele a injustiça de ter nascido no interior. 

Um dia mais tarde, e mediante o rumo que a vida tomar ele vai perceber que no fundo, nascer e crescer aqui é o expoente máximo da qualidade de vida, até lá, vamos tentar atenuar estes pedidos, porque sei que tenho um filho que não é nada exigente e que para ele qualquer coisa que seja "nova" é motivo de sorrisos e diversão garantida.

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