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Ele, o microfone e a mamã

"Radicalismos" de uma mãe galinha, rabiscos e cantorias do pequeno príncipe T e vida, muita vida para vos mostrar. No nosso T3 vivemos e sorrimos muito.

Ele, o microfone e a mamã

Re(Começar)

Liliana Silva, 06.07.21

 

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Como se recomeça, depois de uma queda que nos tira o folego, nos leva a alma e nos deixa num silêncio ensurdecedor e colo vazio?

Não sei!! Acreditem que ainda não sei!! Mesmo quando há 9 anos caí num buraco tão igualmente profundo, continuo a não saber como se recomeça. Creio eu, que não há fórmulas feitas ou equações que tenham resultado positivo, quando na realidade tudo o que vemos é subtrações. Há 9 anos tiraram-me a minha mãe, este ano tiraram-me um filho!

Estas quedas livres não são fáceis e acho que os melhores ingredientes que lhe posso dar é sobretudo tempo e amor.

Perder um filho custa!!! E custa muito, tenha ele semanas, meses ou anos, seja ele de gestação ou vida vivida! É um filho, é um projecto de vida!!

E quando ouvimos o "sorte a tua que já tens lá um", "agora é tentar o próximo" ou "deixa lá que ainda és nova" dá-nos única e simplesmente raiva! Quando se acha que uma simples frase dá alento, perguntem primeiro se gostariam de a ouvir caso fosse com vocês. Bem sei que não se faz por mal. Sei perfeitamente que ninguém está preparado para confortar o outro da melhor forma que é possível, nem sequer são obrigados a isso, mas por favor, parem para pensar antes de falar!!

Infelizmente a perda gestacional é um tema que magoa tantas e tantas famílias, tantas mães com expectativas defraudadas e colos vazios. Um tema que pouco se fala, uma conversa que muitos não querem ter porque é incomodo ou porque magoa.

Há quem não veja a cara daquele feto/bebe e só por aí está tudo melhor, e parece que a coisa se resolve mais rápido. Outros há, como no nosso caso, em que a realidade era outra e o consegui ter deitado ao meu lado para lhe sussurrar ao ouvido que partisse em paz. Mas em nenhum caso fica tudo bem! Não há nada que possa ficar bem depois da perda de um filho. Não há poção mágica nem pozinhos de perlimpimpim que façam desta história um final feliz. Há uma família que fica sem um membro, há sonhos desfeitos, há planos que não vão ser concretizados.

Gostava de vos dizer como...mas ainda não encontrei o caminho, sendo certo que continuarei a caminhar. Não tenho certezas de nada, não sei como vai ser no futuro, não sei sequer se voltarei a "estar de barriga". Sei que depende de nós, sei que depende da força com que nos agarramos à vida e aos que de nós dependem. Sei que tenho feito a minha parte, ainda que incompleta, faço de tudo para me manter à tona. 

E quando me perguntam como estou...a resposta é "vou remando", e remar não significa esquecer ou doer menos..."remar" significa continuar a querer ser ainda mais feliz, ainda que este meu coração esteja já tão partido e massacrado.

E é em dias como o desta fotografia que vou respirando fundo e tentando encontrar uma paz interior que me permita continuar. Porque "show must go on" 

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